domingo, 20 de setembro de 2009

Era uma lojinha bem interessante

Esse daí é um dos primeiros textos que eu creio que escrevi com um fim, com uma idéia. Ainda não ficou legal, mas é a primeira tentativa

Era uma lojinha bem interessante. Entrada apática, feiosinha mesmo. Parecia com as lojas de antiguidades que se vê na TV, com um coreano ou chinês na porta, que atende mal às pessoas. Ficava num lugar afastado, apático, feiosinho mesmo. Mas, mesmo com todos esses atrativos, a tal lojinha tinha um movimento surpreendente. Era um entra e sai de pessoas com a sua sacolinha debaixo do braço.
Uma sacolinha de tamanho que não condizia com o local. Plástico, nome da loja, slogan, telefone e homepage! Dentro, uma caixa de tamanho razoável, às vezes com um inflador. De ar.
O produto vendido é que era o segredo do sucesso. Não era produtos sensacionais anunciados em privadas, não era a dieta milagrosa que faria emagrecer vinte quilos em duas semanas. A loja vendia bolhas.
E tão só somente bolhas, com o opcional inflador, eram vendidas naquele lugar. E como vendia bolhas. E como vendia bolhas.
Venda suas ações, resgate sua poupança, venda seu carro, sua casa, suas roupas. Petróleo? Mineradora? Banco? Besteira. Dinheiro fácil é com venda de bolhas.
Mas tem que ter a intuição dos grandes homens de negócios. Lojas de bolhas não dão lucro para sempre. Depois de um certo tempo a freguesia vai se esvaindo. O movimento cessando.
Um homem no isolamento. Um homem fechado às influências externas. Pode se sentir feliz. Mas tem que ter a intuição dos grandes pensadores. Solidão não dá lucro para sempre. Depois de um certo tempo, a calma vai se esvaindo. A razão cessando.
Um homem não compra uma bolha duas vezes.

26/06/2008

(Rapaz, eu estava uma criatura extremamente apática a essa época)

Nenhum comentário:

Postar um comentário